PEC 32 contribui para aumento da corrupção no país, aponta estudo da consultoria legislativa do Senado

PEC 32 contribui para aumento da corrupção no país, aponta estudo da consultoria legislativa do Senado
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Nota técnica da consultoria legislativa do Senado Federal, divulgada nesta quarta-feira (19), considera inadequada a designação “reforma administrativa” para se referir à PEC 32/20. Segundo o estudo da Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle, a proposta “contribuiria para o agravamento da corrupção no país” e, portanto, seria mais apropriado chamá-la de “contrarreforma administrativa”.

A nota enfatiza que a PEC promove alterações que tendem a aumentar a corrupção na administração pública. Entre elas, a eliminação das restrições atualmente existentes à ocupação de cargos em comissão e funções de confiança, permitindo assim a ocupação, sem limites, por pessoas que não possuam vínculos funcionais com a administração pública. A expansão mínima prevista com a medida é em torno de 207,3 mil postos (156.028 funções de confiança + 51,3 mil cargos em comissão hoje ocupados por servidores de carreira). “Teríamos, assim, uma expansão de pelo menos 29% no montante de postos que podem ser ocupados por pessoas sem vínculo”, destaca o estudo. A tendência é o “aumento dos escândalos na administração pública”, já que tais postos “sempre foram fontes de apadrinhamento, de abusos e de injustiças a concursados”.

O documento analisa os impactos fiscais derivados da aprovação da PEC 32/2020 e apresenta propostas alternativas para o controle das despesas com pessoal e para a eficiência da administração pública. A nota considera “vaga e oblíqua” a única menção feita ao impacto fiscal na exposição de motivos da PEC. “Dada a centralidade da temática fiscal para a PEC, não deixa de causar estranheza, ao menos em um primeiro momento, o fato de o Poder Executivo não ter divulgado qualquer estimativa de seu impacto fiscal”, diz trecho da nota assinada pelo consultor legislativo Vinícius Leopoldino do Amaral.

Além do aumento da corrupção, o estudo aponta como efeitos adversos da PEC a facilitação da captura do Estado por agentes privados e a redução da eficiência do setor público em virtude da desestruturação das organizações. “Os efeitos previstos de redução de despesas são limitados, especialmente no caso da União. Assim, estimamos que a PEC 32/2020, de forma agregada, deverá piorar a situação fiscal da União, seja por aumento das despesas ou por redução das receitas”, conclui o levantamento.

Confira a íntegra da nota técnica aqui.

Fonte: SINDILEGIS

Publicado em 21/05/2021 às 15:54

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